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17/09/2007
No trânsito e em pé

Li na
Folha de S.Paulo de hoje: Ônibus e trens do metrô, da cidade de São Paulo, estão com menos bancos para compensar a lotação. O jornal afirma que, “no metrô, as 33 composições que vão ser compradas até 2010 pelo governo José Serra (PSDB) terão 25% menos bancos do que as mais antigas”. Nos ônibus, a situação também é muito parecida. “Um dos modelos regularizados hoje na prefeitura, por exemplo, tem 40 bancos e espaço para 84 pessoas em pé.” Até pouco tempo, lembro-me que o número de bancos chegava a superar o de lugares para pessoas em pé.
Ora, não concordo que um problema estrutural deva ser resolvido com medidas emergenciais, que só diminuem o conforto e o direito dos cidadãos. Fica a sensação de que, como é para pobre, qualquer coisa está boa. Quanto mais pessoas couberem na lata de sardinha, melhor!
Sou uma grande freqüentadora dos ônibus dessa cidade e testemunho constantemente a dificuldade que os idosos e mulheres grávidas enfrentam para conseguir um assento. Por mais que haja lugares garantidos por lei a essas pessoas, não é tarefa fácil conseguir um deles. Além disso, há o problema das pessoas mal educadas ou ignorantes (ou as duas opções), que ocupam os assentos reservados.
Se a tendência mundial é de que mais pessoas troquem seus carros pelo transporte coletivo, em prol do meio ambiente, o governo precisa repensar suas estratégias. Garanto, o transporte público de São Paulo é muito pouco atraente.

(Marina Morena Costa)

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13/09/2007
Alguém sabe a resposta?

1. Por que laranja se chama laranja e limão não se chama verde?
2. Por que lojas abertas 24 horas possuem fechadura?
3. Por que que quem trabalha no mar se chama Marujo? Então quem trabalha no ar deveria ser Araújo, ok?
4. Por que "separado" se escreve tudo junto e "tudo junto" se escreve separado?
5. Por que os kamikaze usavam capacete?
6. Por que se deve usar agulha esterilizada para injeção letal em um condenado à morte?
7. Para que serve o bolso em um pijama?
8. Por que os aviões não são fabricados com o mesmo material usado nas suas caixas pretas?
9. Adão tinha umbigo?
10. Por que o Pato Donald depois do banho sai com uma toalha em volta da cintura, se ele não usa short no desenho?
11. Se o super homem e tão inteligente, por que usa a cueca por fora da calça?
12. O Pluto e o Pateta são cachorros, certo? Por que o Pateta fala e o Pluto não?
13. Por que tem gente que acorda os outros para perguntar se estavam dormindo?
14. Por que os Flinstones comemoravam o Natal se eles viviam numa época antes de Cristo?
15. Por que os filmes de batalhas espaciais tem explosões tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?
17. Por que aquele filme com Kevin Costner se chama "Dança com Lobos" se só aparece um único lobo durante todo filme?
18. Como se escreve zero em algarismos romanos?
19. Por que as pessoas apertam o controle remoto com mais força, quandoa pilha está fraca? 20. O instituto que emite os certificados de qualidade ISO 9000 tem qualidade certificada por quem?
21. Quando inventaram o relógio, como sabiam que horas eram, para poder acertá-lo?
22. Como foi que a placa "É Proibido Pisar Na Grama" foi colocada?
23. Por que "Já" quer dizer "Agora", e "Já Já" quer dizer "Daqui a pouco"?

Essas questões estão rolando na internet. Mas hoje cabe mais uma:

24. Por que Renan Calheiros foi absolvido?



(Rosane Queiroz)

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12/09/2007
Até a fé tem limites

Oito anos atrás, o caminhoneiro Luciano Spadacio vendeu seu carro e entregou o cheque de R$ 2 mil a um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. O ex-fiel acreditou na promessa de que sua vida ia melhorar "financeira e espiritualmente". Como, infelizmente, isso não aconteceu, Luciano entrou na Justiça: seu pedido de indenização por danos morais e materiais foi indeferido, mas os desembargadores concluíram que o caminhoneiro foi induzido ao erro. Se as coisas derem certo desta vez, Luciano deverá receber o valor de sua "doação" devidamente corrigido --algo em torno de R$ 3,6 mil. A Igreja já se posicionou, vai recorrer da decisão. Até porque Luciano certamente não deve ser o único fiel desiludido...

(Silvana Tavano)

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04/09/2007


Mulher feia é a de casa

A notícia serve como redenção àquelas mulheres desesperadas por não estarem nos padrões da indústria da moda, da mídia ou da rua Oscar Freire. Um americano do East Village, bairro superdescolado de Nova York, decidiu protestar à sua maneira contra a pressão sofrida por sua namorada. Ele pendurou um cartaz no apartamento onde mora onde se lia : "Revistas de beleza fazem minha namorada se sentir feia". Não é sensacional? A moça até pode ser feia para meio mundo, mas o namorado gosta dela assim. E daí? Melhor que ser uma feia assumida é ter um namorado desses, não acha?

(João Luiz Vieira)

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21/08/2007
O que importa é comer e votar


"Governo diz que bolsa-família atinge 48 milhões de pessoas"

É realmente incrível. E tem gente que lê isso e gosta. Vejamos. Se 48 milhões de pessoas são beneficiadas com a tal bolsa-família, então temos um contingente de quase 50 milhões que está sendo alimentado - e nada mais. Saúde e educação não estão na pauta deste governo. O que vale é dar comida. Ou seja, tratar o ser humano como gado: comida e só. Claro que comida é fundamental. Mas saúde e educação também são. Porque, se ficar só na comida, como tem sido, isso significa dizer que tudo o que o governo quer é ter um contingente de 50 milhões de eleitores. Gente que continuará analfabeta e ignorante, mas que come e vota. É medíocre - mas tem quem goste. Comida, educação e saúde, em doses equivalentes - sem isso, nunca seremos nada. Até porque, com educação e saúde, a comida vem pelo trabalho, e não pela esmola. Mas tem um problema grande aí: com educação, o sujeito vai ser capaz de analisar, ponderar e, finalmente, votar naquele que ele considera melhor candidato, e não naquele que pede voto com uma mão e oferece o arroz e o feijão com a outra. E é aí que a coisa complica. A ignorância sempre foi a melhor, e mais manipulável, das eleitoras.

(Milly Lacombe)

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15/08/2007

Santa ingenuidade!

Não agüento mais a novela em torno do empresário Oscar Maroni Filho, dono do Bahamas que, segundo dizem, é um misto de boate, motel, restaurante e sauna. Em tese, o cara é um fora-da-lei. Mas vamos lá: prostituição não vai acabar nunca. Pensar que, ao prender esse cidadão, nosso país ficará casto é ingenuidade demais. Enfim, como diz minha amiga Milly Lacombe, parece que a crise aérea está se resolvendo: o dono do Bahamas foi preso, e o ministro Jobim decretou: “Dentro da aeronave, com esses assentos pequeninos, não dá!”. Estamos no caminho certo.

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08/08/2007

Na hora errada
A revista “Exame” fez 40 anos e, como parte das comemorações, premiou as melhores empresas do Brasil. Até aí, tudo certo. O espantoso é que a TAM foi eleita pela publicação a melhor empresa do setor de transportes de 2006. Não é piada de mal gosto, deu no “O Globo” de hoje, com chamada (abaixo da dobra) na primeira página do jornal carioca –“TAM é eleita a melhor empresa do setor”. Prêmio é bom em vários aspectos: para a imagem da empresa, para os negócios (boas empresas costumam chamar clientes) e para a auto-estima de quem está à frente do negócio. Mas, nesse caso, veio em péssima hora –menos de um mês depois do maior acidente aéreo do país, justamente com um avião da TAM. Péssima hora também para a revista, cuja notícia soa como um vexame. A companhia, ao menos, teve a decência de não comparecer à solenidade. Alegou “respeito aos familiares das vítimas do acidente com o Airbus da empresa, que matou 199 pessoas no último dia 17”.

(Fernanda Cirenza)


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06/08/2007



Me poupe


Fiquei incomodada com a reportagem “O encontro depois da tragédia”, que reuniu familiares dos pilotos que morreram no acidente 3054, da TAM, no último dia 17, que foi ao ar ontem no Fantástico. Estavam lá a mulher e o filho de Henrique Stephanini –Maria Helena e Paulo Henrique—e parentes do piloto Kleyber Lima, que moram em Fortaleza, frisava a matéria. Juro que não consigo entender o que move uma pessoa enlutada a participar de um encontro desse tipo. A experiente repórter Maria Cristina Poli parecia estar constrangida com a missão que recebera. Afinal, o que perguntar a uma mulher, um filho ou a uma irmã que perdeu o marido, o pai, o irmão no maior acidente aéreo do país? Até entendo a idéia da reportagem. Como os jornais noticiaram que houve falha humana no acidente, os familiares poderiam aproveitar aquela oportunidade para defender as imagem dos pilotos. Mas o que se viu e ouviu foi série de perguntas genéricas (quase agressivas à inteligência do telespectador) e respostas cheias de clichê. Reproduzo aqui alguns trechos:
Fantástico: Vocês acompanharam como esse dia?
Sheyla Silveira (irmã de Kleyber) – Eu estava na internet e vi o incêndio. Logo depois, meu sobrinho liga e me pede para vir rápido porque minha mãe estava passando mal, tinha desmaiado, porque tinha havido um acidente com a TAM e ninguém conseguia falar com ele.”
Fantástico: “Vocês tinham a escala de trabalho deles?”
Maria Helena: “Eu tenho. Ele, sempre que saía, deixava a escala e avisava: ‘Olha, vou estar em tais lugares. Se precisar de mim, é só acompanhar a minha escala’. Isso era para me deixar tranqüila. Sempre foi assim.”
Fantástico: “Maria Helena, quais são os valores que você acha que seu marido deixa para vocês, como família?”
Maria Helena: “Ele era muito amoroso. Nós realizamos uma família linda, todos bem centrados na vida. Esses são os melhores valores que fizemos juntos.”
Fantástico: “Como é que agora se reorganiza a vida? Como é que se começa de novo?”
Sheyla: “Está difícil. Eu acho que a nossa vida só vai, tanto da nossa família quanto da família de Maria Helena, ela só vai começar a se organizar um pouquinho quando a gente tiver a identificação dos corpos, para que a gente faça um velório digno. Faça um enterro, mesmo que seja simbólico.
Fantástico: “Maria Helena e Paulo, vocês também têm essa dificuldade de reorganizar e começar a vida?”
Maria Helena: “Por enquanto, sim. Eu fico no aguardo todo dia de um telefonema dizendo: ‘Olha, seu marido foi identificado’”.
Fantástico: “Vocês mexeram no quarto, nas roupas?”
Maria Helena: “Não, tudo está do mesmo jeito. Do mesmo jeitinho. O pijama que ele tinha usado naquele dia não deixei nem levar, está comigo.”
Fantástico: “Paulo, é difícil realizar que seu pai não está mais aqui?”
Paulo: “Eu tenho certeza de que ele vai estar sempre do meu lado, sempre vai estar me acompanhando para o resto da vida.”
Para finalizar, Paulo diz: “Eu tenho certeza de que tudo foi possível, meu pai e Kleyber tentaram”.
Perder o pai é sempre doloroso, não preciso dizer. Eu perdi o meu há mais de oito anos e continuo sentindo falta dele. Eu me sentiria agredida se alguém, há menos de um mês da morte dele, quisesse saber se estava difícil tocar a vida adiante. Perder o pai no maior acidente aéreo do país e vê-lo todos os dias nos jornais –falha humana, erros do aeroporto, da pista... – não deve deixar ninguém ficar em paz. A reportagem não emociona e não traz nenhuma novidade ao telespectador. Ficou parecendo mais uma notícia sensacionalista. Que me desculpem Maria Helena, Paulo Henrique e Sheyla, mas a TV realmente tem um forte poder: o de seduzir as pessoas.

(Fernanda Cirenza)

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03/08/2007
Só para saber
Lula não sabia que o homem da sala ao lado, Waldomiro Diniz, pedia propina a empresários
Lula não sabia do mensalão
Lula não sabia da compra do dossiê contra os tucanos
Lula não sabia dos sanguessugas
Lula não sabia que o país estava vivendo um caos aéreo
A pergunta que não que calar: do que sabe Lula?

(Milly Lacombe)

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03/08/2007
Preconceito em estado bruto

Anotem esse nome: Manoel Maximiniano Junqueria Filho. Trata-se de um juiz que escandalizou todas as pessoas de bom senso ao arquivar, na sexta-feira, a queixa-crime apresentada por um jogador do São Paulo contra um dirigente do Palmeiras. Se você não gosta de futebol, não desista ainda porque essa nota vai interessar mesmo assim - é a respeito de cidadania e ética. O que causou enjôo não foi o arquivamento do caso, mas as declarações do juiz sobre o caso. Para entender melhor: Richarlyson, jogador de destaque no time do São Paulo, se sentiu ofendido depois que um dirigente do Palmeiras citou seu nome em um programa esportivo ao responder uma pergunta sobre homossexualidade. Sentido-se ofendido, foi à justiça - o que é um direito seu. Esse senhor Manoel achou por bem fazer valer o posto para verbalizar toda a sua homofobia nas seguintes palavras ao comentar o arquivamento do caso: “Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual” (ele certamente não viu nossas meninas em campo no Pan). Mas tem mais. No documento, segundo matéria publicada na Folha de S.Paulo desta sexta, o juizão diz ainda que “se o atleta fosse homossexual, melhor seria que abandonasse os gramados”. Pouco? Pois tem mais desfile de homofobia: “Quem se recorda da Copa do Mundo de 70 (...) jamais conceberia um ídolo homossexual”. Não, não desista ainda. O melhor ainda está por vir: “Não que um homossexual não possa jogar bola, mas que forme seu time e inicia uma federação”, conclui, por escrito, o juiz. Está tudo publicado na
Folha desta sexta. Se Richarlyson é ou não homossexual não está em discussão. A vida particular de cada um é a vida particular de cada um. O que não é mais aceitável é ler declarações carregadas de preconceito e discriminação, vindas de formadores de opinião, e ficar calado. Espero que o jogador do São Paulo, garoto de futuro no futebol, não abaixe a cabeça, nem deixe barato. E que todas nós anotemos o nome desse juiz. É tempo de se mexer, de se manifestar, de lutar contra o preconceito e a discriminação.

(Milly Lacombe)

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03/08/2007
Pesadelo na oficina

Dirijo razoavelmente bem, mas diante de um capô aberto, confesso que não sei reconhecer um alternador ou um cabo de vela. Felizmente, isso não compromete minha inteligência nem meu bom senso. Mas preciso admitir que o vendedor que me atendeu numa concessionária Toyota, em São Paulo, não deve ter botado muita fé nisso.

Comprei o carro de uma amiga --um carrão, bem tratado e praticamente novo. Na hora de transferir os papéis, fui alertada pelo despachante que era necessário ter o número do motor, além do número do chassis. Ocorre que, nesse carro, o bendito número é inatingível, fica no motor, debaixo de um filtro. Tinha que ir a uma oficina autorizada para fazer esse serviço, e resolvi aproveitar para fazer uma revisão, no caso, a dos 20 mil quilômetros. Qual não foi a minha surpresa quando o vendedor sugeriu que eu fizesse também as revisões dos 10 e dos 15 mil, que minha amiga não havia feito. Aquilo me pareceu absurdo: ele estava propondo que eu “aproveitasse” a estadia na oficina para fazer as três revisões de uma vez? Naturalmente, cada uma dessas revisões equivale a um pacote, que checa tais e tais itens e custa um certo preço. Na minha infinita ignorância, perguntei se, além de trocar os óleos e as arruelas da revisão dos 20 mil, os mecânicos não dariam uma geral no motor. Sim, respondeu ele, gentilíssimo, "e vou estar ligando para a senhora caso seja necessário fazer algum outro ajuste ou troca que exceda o orçamento". Não obtive resposta quando voltei a perguntar qual a razão, então, de comprar o pacote de duas outras revisões. Isso já seria o bastante para que eu me sentisse uma perfeita idiota, mas ele foi além. No dia anterior, o pára-choque havia se desencaixado. Como estava numa oficina, pedi para que eles colocassem no lugar. Mas a "análise atenta" do vendedor detectou que seria necessário trocar o pára-choque, pois um certo grampo central que o prendia tinha se quebrado e ele jamais voltaria a se encaixar. Atônita, ouvi o vendedor listar os valores de um parachoque novo mais pintura mais funilaria e mais não sei o quê e logo percebi que sairia da rápida revisão com uma conta de quase R$ 2 mil. Ele disse mais: o carro certamente já tinha batido feio, porque a pintura do pára-choque e de toda a lateral não era original e blablablá. Nessa hora, tive vontade de bater no homem, porque sei que o carro nunca foi batido. Aleguei falta de tempo e disse que queria "apenas" a revisão dos 20 mil e o número do motor, motivo da ida à concessionária. Quando fui buscar o carro, o pára-choque estava ok. "Demos um jeitinho mas, como a senhora pode ver, a peça não está alinhada". Não vi nada, ou melhor, vi: o pára-choque estava exatamente onde devia estar. “Desalinhado”, para dizer o mínimo, é o tratamento que concessionárias como essa dão aos clientes.

(Silvana Tavano)

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02/08/2007

“Não temos em quem confiar”

Esta é a opinião de Lis, leitora deste blog, da qual eu compartilho. Neste momento de apuração da caixa-preta do vôo 3054 da TAM, as informações são de arrepiar, especialmente para quem nunca adorou voar –meu caso. O manete, o reversor, a pista molhada, a falta de ranhuras... São muitas versões para um único acidente. Está certo, as apurações não estão encerradas. Só que é triste ler o depoimento de Maria Helena, viúva do co-piloto Henrique Stephanini Di Sacco (foto, Arquivo Pessoal), que está no ar na página online do jornal
Folha de S. Paulo. Lá, ela diz: “A corrupção é tão grande que vão colocar a culpa no piloto, na empresa... Mas eu acho que, na verdade, o acidente aconteceu por uma série de fatores. Só que é mais fácil culpar quem não está mais aqui para se defender.” Pois é. Nem ele, nem o piloto Kleyber Aguiar Lima –nem o restante da tripulação, nem os passageiros, nem as pessoas que estavam em terra e também morreram-- terão alguma chance de defesa. Mesmo que tenha havido falha dos pilotos, esse terrível acidente escancarou de forma vergonhosa a situação do sistema áereo brasileiro. E mais uma notícia que causa espanto: “o presidente Lula reconhece que o setor áereo não tinha noção da dimensão dos problemas e dificuldades que existiam na área” –está no Folha online. Como assim? O que fazia o “setor aéreo” até o acidente? Como o “setor aéreo” não tem noção do que acontece no maior aeroporto do país? Por isso termino com o comentário de Manuela Furtado, também freqüentadora deste novo canal de comunicação de Marie Claire: “A única aviação que deu certo no Brasil foi a manteiga”.

(Fernanda Cirenza)

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31/07/2007


Espetáculo de horrores

Impressionante o show de notícias catástroficas em torno da crise aérea. Fiquei sabendo de cada coisa... A mais atual é que o aeroporto de Cumbica também é inseguro –a segunda pista não é confiável, segundo a Infraero. Sobre Congonhas, as informações são cada vez mais assustadoras, o que me leva a pensar o seguinte: a tragédia com o vôo 3054 da TAM poderia ter sido um terrível acidente, mas virou um espetáculo de horrores. Tudo o que leio me leva a crer que tem gente arriscando a sorte dos outros. A começar pela liberação da pista inacaba, sem as tais ranhuras. Causa ou não do acidente, essa notícia é suspeita. Saber que o avião 3054 estava com o reversor quebrado, e que a TAM conhecia o problema é outro dado estranho. E ler nas manchetes dos jornais que o próprio presidente Lula entrega a sorte a Deus quando entra no avião é demais. Se nem a autoridade máxima deste país confia na aviação, o que será de nós? Mas o que mais tem me irritado são as informações desencontradas sobre a construção de um novo aeroporto para São Paulo. Três dias depois da tragédia com o 3054, Lula finalmente quebrou o silêncio, prometendo, entre outras medidas, um novo aeroporto. Ontem, no entanto, o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, teria descartado momentaneamente a construção de um novo aeroporto, ainda que o Conac (Conselho de Aviação Civil) tenha determinado a conclusão de estudos sobre o tema em três meses. Para dar engrossar o disse-disse, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje que o governo mantém o plano de um terceiro aeroporto na cidade. É muito baile para pouca purpurina. E será que vai valer o discurso de quem? De Lula? Dilma? Ou Jobim? Dá até para fazer um bolão com mais uma alternativa: será que alguém vai fazer alguma coisa decente para liquidar de verdade essa crise?

(Fernanda Cirenza)



* Foto: Paulo Whitaker/Reuters
* Leia mais sobre a crise aérea na
Época

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30/07/2007
A pior opinião é a falta de uma

O despertador tocou às oito da manhã no domingo. Lá fora, oito graus. Sair da cama? Não estava nos meus planos. Mas o telefone repicou e minha irmã foi clara: tô passando aí. Tremendo de frio, e de medo de não estar pronta quando ela chegasse (ela é brava), coloquei a primeira roupa - ou as primeiras roupas - que estavam ao meu alcance e lavei o rosto. Íamos à manifestação em homenagem às vítimas do vôo da TAM. Imaginei que haveria, com aquele frio, mais duas ou três pessoas.Ah, ia ser um tremendo fiasco: além do frio estúpido, garoa. Mas como já estou cansada de reclamar e não fazer nada de prático para mudar a situação, decidi que iria mesmo assim. O clima começou a esquentar quando percebi que havia ali mais uma centena de almas. Opa, talvez o fiasco não fosse tão grande como supus. Encontrei amigos do colégio e da faculdade: estava ficando com cara de corrida da Corpore - exceto pelo fato de estarmos todos com roupas de neve - classe média, definitivamente, não sabe fazer passeatas, pensei. As pessoas estavam dispersas, sem saber muito bem para onde ir, quem seguir, o que gritar. Se tivessem pedido consultoria a alguém do PT, a coisa seria muito mais bem feita, imaginei. Mas a culpa não era apenas da falta de familiaridade dos remediados com manifestações de rua; era, também, da falta de foco da manifestação. Por mais que estivéssemos todos a fim de prestar solidariedade às famílias vitimadas, também queríamos protestar. Contra o governo, contra gestos obscenos, contra a impunidade, contra o descaso. Um carro com alto-falante ia à frente e, dele, organizadores gritavam coisas como: “Exigimos Respeito!”, no que eram imediatamente seguidos por cada um dos presentes. Aos poucos, gritos de “Fora Lula!” ganhavam força e ritmo. Mas era claro que o carro que puxava a multidão era povoado por pessoas que certamente não tinham muita experiência em passeatas: em vez de seguir falando e motivando os manifestantes com colocações contundentes, optava, muitas vezes, pela música. Só que a galera queria mesmo protestar, ainda que os organizadores preferissem uma passeata menos politizada. Em pouco tempo, gritos de “Desliga o som!” preencheram o local. Da metade para o final, já não deu mais para segurar e a classe média começou a gostar da brincadeira de tomar as ruas e fazer barulho (foto tirada por Raimundo Pacco -
Folha Imagem). Uma sensação de dever cívico me pegou em cheio. Por isso, recomendo: encontre uma manifestação que caiba na sua ideologia e vá para as ruas. Brasileiro não é muito dado a isso, salvo em carnavais e “futebóis”, mas a hora pede que nos mexamos. Contra ou a favor do governo, o que vale é deixar claro o que você pensa. Porque a pior opinião é a falta de uma.

(Milly Lacombe)

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30/07/2007
O estranho

Alguém poderia me explicar o que Sergio Mallandro fazia no casamento de Sophia Alckmin, filha do ex-governador Geraldo e dona Lu, neste fim de semana? Só tinha tucano, mas ele afinal é um exemplar da espécie? Candidatura à vista?

(João Luiz Vieira)

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30/07/2007
Que pena, acabou o Pan

O presidente Lula disse hoje, durante o programa de rádio “Café com o presidente”, que valeram os investimentos (quase R$ 4 bilhões) feitos no Rio. “Valeu a pena gastar o dinheiro que tinha que gastar, valeu a pena aplicar o que tinha que aplicar, fazer parceria com o governo do Estado, com a prefeitura para que a gente pudesse mostrar ao mundo a capacidade que o Brasil tem de realizar uns jogos dessa magnitude. Ou seja, no fundo, no fundo, isso credencia o Brasil para sediar a Copa do Mundo e credencia o Brasil para disputar uma olimpíada no Brasil.” Não entendo quase nada de política esportiva, mas gosto de ouvir o jornalista Juca Kfouri, na rádio CBN, que é um especialista no assunto. Ao comentar a fala do presidente, Juca lembrou que o Rio competia com uma cidade norte-americana (não lembro qual) para sediar o Pan. O Rio levou porque o governo resolveu bancar as despesas dos atletas e dos cartolas –atitude negada pela cidade americana e sem precedentes, parece, em outros jogos. Não sou contra o Brasil sediar competições, mas é no mínimo esquisito um país como o nosso, onde um monte de gente não tem escola –só para falar de um dos problemas brasileiros—dar pinta de mecenas esportivo.

(Fernanda Cirenza)

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28/07/2007
Obesidade não é contagiosa: preconceito, sim

Deu no “New York Times”: um estudo realizado por cientistas da Escola Médica de Harvard, de Cambridge (EUA), teria chegado à conclusão de que “a obesidade é contagiosa”. O estudo se baseou em uma análise de uma rede social formada por 12.067 pessoas, em Framingham, Massassuchets, num período de 32 anos, de 1971 e 2003. Segundo os cientistas, os dados indicam que as pessoas ficam obesas com mais facilidade quando um amigo engorda: o “risco” aumentaria em 57%. O efeito seria exclusivo para amigos --o fato de um familiar ou um vizinho engordar teria efeito mínimo sobre o peso dos pesquisados.

A notícia é perturbadora, por vários motivos. Em primeiro lugar, é preciso questionar se esses dados, compilados originalmente para uma pesquisa sobre doenças do coração, revelam mesmo alguma coisa sobre as causas da obesidade. Em depoimento ao próprio NYT, Stephen O’Rahilly, da Universidade de Cambridge, coloca em dúvida o valor científico desse estudo. “A boa ciência tem a ver com replicação. E não consigo ver como poderíamos replicar uma pesquisa como essa.”

Talvez o que a pesquisa revele seja outra coisa muito diferente. Não é a obesidade que é contagiosa: afinal, ninguém pega esse “vírus” por aí –diversas causas genéticas, psicológicas e sociais podem levar uma pessoa a engordar. O que é contagioso, sim, é o preconceito. O fato é que o mundo não perdoa quem está fora das medidas, conforme demonstrou a Marie Claire na reportagem “Por que o mundo odeia as gordas”, de abril de 2006. Primeiro, o gordo foi taxado de preguiçoso. Depois, virou uma pessoa irresponsável, que não cuida da saúde. Agora, além de tudo, ele é “contagioso”. Até quando vamos ter que aguentar essa discriminação furiosa contra quem tem alguns quilinhos a mais?

* Para ler mais sobre preconceito, acesse
www.magnuscorpus.org

(Marisa Adán Gil)

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27/07/2007
O melhor lugar do mundo

A imagem ao lado é da cerimônia de posse de Nelson Jobim no ministério da defesa, realizada no dia 26 de julho, substituindo o eficientíssimo Waldir Pires. O acidente com o Airbus da TAM havia acontecido sete dias antes desses cliques, e o clima na capital federal, como não negam os momentos captados pelas lentes dos fotógrafos de
O Globo, eram de pura euforia. Não bastasse o top top top de Marco Aurélio Garcia (que aqui sorri largamente) e de seu assessor Bruno Gaspar, não bastasse o relaxa e goza de Marta, não bastasse a patética explicação da crise aérea dada por Mantega ("trata-se de crescimento econômico"), agora os homens que nos (des)controlam dão mais essa demonstração de profunda sensibilidade diante do que talvez tenha sido, muito por responsabilidade deles, o mais trágico acidente de nossa história. Duzentos mortos depois, essa é a cara de Brasília: Lula, Saito, Pires, Jobim, Garcia: um viva à corte!

(Milly Lacombe)

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